Pular para o conteúdo

Arquitetura real · Sênior

Mercado Livre: skew entre treino e serving e dependências de dados no antifraude

Heurística memorável: a chance de consistência é de cerca de 1/2^N fontes.

17 min de leitura · Fonte: Mercado Livre · Conteúdo revisado em 23 de outubro de 2026

Resposta curta

Heurística memorável: a chance de consistência é de cerca de 1/2^N fontes. Quem coloca modelos de machine learning em produção conhece a pergunta que abre o artigo do Mercado Livre: já aconteceu de os resultados de laboratório serem muito bons e os de produção não?

01 · CONTEXTO

Bom no laboratório, ruim em produção

Quem coloca modelos de machine learning em produção conhece a pergunta que abre o artigo do Mercado Livre: já aconteceu de os resultados de laboratório serem muito bons e os de produção não? O autor lembra que, mesmo com testes por toda parte e com a garantia de que as distribuições dos dados de treino e de produção são coerentes, seria um erro agir como se esses mecanismos fossem funcionar: haverá diferença entre os dados de treino e os de produção.

O problema pesa mais em sistemas grandes e complexos, com várias fontes de dados. Os modelos de prevenção a fraude do Mercado Livre, por exemplo, consomem muitas fontes: agregados históricos sobre diferentes entidades (como usuários ou dispositivos), agregados em tempo real, dados transacionais de contexto, relações em grafo e outras.

  1. No centro do diagrama está o modelo de antifraude em serving, que consome várias fontes de dados.

    Diagrama da arquitetura: Antifraude: um modelo, várias fontes
    CPModelo de antifraude em serving
    DBAgregados históricos
    CHAgregados em tempo real
    CPDados transacionais de contexto
    DBRelações em grafo
  2. Duas das fontes citadas são agregados: o histórico sobre entidades como usuários ou dispositivos e o calculado em tempo real.

    Diagrama da arquitetura: Antifraude: um modelo, várias fontes
    CPModelo de antifraude em serving
    DBAgregados históricos
    CHAgregados em tempo real
    CPDados transacionais de contexto
    DBRelações em grafo
  3. As outras duas são os dados transacionais de contexto e as relações em grafo.

    Diagrama da arquitetura: Antifraude: um modelo, várias fontes
    CPModelo de antifraude em serving
    DBAgregados históricos
    CHAgregados em tempo real
    CPDados transacionais de contexto
    DBRelações em grafo
  4. Uma dependência de dados afetada, incluindo as dependências dela, pode alterar a previsão final e o desempenho do modelo em serving.

    Diagrama da arquitetura: Antifraude: um modelo, várias fontes
    CPModelo de antifraude em serving
    DBAgregados históricosdependência afetada
    CHAgregados em tempo real
    CPDados transacionais de contexto
    DBRelações em grafo

02 · A REGRA PRÁTICA

Quanto mais fontes, menor a chance de consistência

O autor propõe uma regra prática: a probabilidade de os dados de treino e os de serving serem consistentes é 1 / (2 ^ N), em que N é o número de fontes de dados diferentes. Quanto mais fontes, maior a chance de que alguma falhe.

Mesmo com a dívida técnica bem gerida, as fontes de que se depende provavelmente ficam relativamente sob controle, mas isso não impede problemas como a queda de um serviço, a mudança na assinatura de uma API, um campo fora do nome esperado ou mudanças de produto. Uma dependência afetada, com as dependências dela, pode alterar a previsão final e o desempenho do modelo em serving.

03 · TREINO VERSUS SERVING

O que a produção tem e o ETL de treino não vê

O texto contrasta dois mundos. No ETL de treino não há problemas como timeouts, latência ou atraso na atualização de cache; em produção há. Por isso a recomendação é levar em conta as restrições de SLA do serving ao gerar os dados, e fazer o ETL refletir, o quanto possível, a distribuição que o serving vai gerar, que não é necessariamente a "realidade".

Em outras palavras, o modelo precisa estar preparado para o ruído da produção, e o autor sugere injetar no dataset de treino a mesma distribuição de ruído.

  1. O diagrama mostra primeiro o caminho offline: o ETL lê as fontes offline e grava o dataset de treino.

    Diagrama da arquitetura: Dois caminhos de dados: treino e serving
    DBFontes offline
    CPETL de geração dos dados de treino
    DBDataset de treino
    CPTreino do modelo
    CPModelo em produção
    CHFontes online
  2. No caminho online, as fontes enfrentam timeouts, latência e atraso na atualização de cache, problemas que o ETL de treino não tem.

    Diagrama da arquitetura: Dois caminhos de dados: treino e serving
    DBFontes offline
    CPETL de geração dos dados de treino
    DBDataset de treino
    CPTreino do modelo
    CPModelo em produção
    CHFontes onlineproblemas de produção
  3. A recomendação é que o ETL leve em conta as restrições de SLA do serving e reflita a distribuição que o serving gera.

    Diagrama da arquitetura: Dois caminhos de dados: treino e serving
    DBFontes offline
    CPETL de geração dos dados de treinoreflete o serving
    DBDataset de treino
    CPTreino do modelo
    CPModelo em produção
    CHFontes online
  4. O autor também sugere injetar no dataset de treino a mesma distribuição de ruído da produção.

    Diagrama da arquitetura: Dois caminhos de dados: treino e serving
    DBFontes offline
    CPETL de geração dos dados de treino
    DBDataset de treinocom ruído injetado
    CPTreino do modelo
    CPModelo em produção
    CHFontes online

04 · DEFESAS EM PRODUÇÃO

Observar, medir e reagir

A postura é defensiva. Em um esquema ideal, quem controla os produtores de dados faria com que eles mesmos detectassem os erros e os reportassem aos consumidores; na prática, ficar mais defensivo e se preparar para o pior às vezes é a melhor estratégia.

  1. Primeiro, vigiar a saída do modelo para detectar anomalias, com atenção aos percentis mais baixos e mais altos da distribuição.

    Diagrama da arquitetura: Antifraude com monitoramento defensivo
    CPModelo em serving
    CHFonte de feature crítica
    DBFonte de feature secundária
    NWMonitor dos sinais de entrada
    NWMonitor da saída do modelo
  2. Segundo, um sistema que monitora os sinais (features) que chegam ao modelo.

    Diagrama da arquitetura: Antifraude com monitoramento defensivo
    CPModelo em serving
    CHFonte de feature crítica
    DBFonte de feature secundária
    NWMonitor dos sinais de entrada
    NWMonitor da saída do modelo
  3. Terceiro, manter SLA para as features mais importantes; a importância das features do modelo ajuda a classificar quais vigiar.

    Diagrama da arquitetura: Antifraude com monitoramento defensivo
    CPModelo em serving
    CHFonte de feature críticacom SLA
    DBFonte de feature secundária
    NWMonitor dos sinais de entrada
    NWMonitor da saída do modelo
  4. Quando a saída ou os sinais de entrada reportam problemas, devem existir procedimentos para corrigir ou mitigar o impacto.

    Diagrama da arquitetura: Antifraude com monitoramento defensivo
    CPModelo em serving
    CHFonte de feature crítica
    DBFonte de feature secundária
    NWMonitor dos sinais de entrada
    NWMonitor da saída do modelo
DefesaO que a fonte descreve
Monitorar a saídaDetectar anomalias na saída do modelo, olhando os percentis mais baixos e mais altos.
Monitorar os sinais de entradaUm sistema que vigia as features que chegam ao modelo.
SLA por featureManter SLA para as features mais importantes, priorizadas pela importância no modelo.
Procedimentos de reaçãoSeguir procedimentos quando saída ou entradas reportam problemas, para corrigir ou mitigar.
Dropout de featuresNo treino, aplicar feature dropout, sobretudo nas features com chance de falhar online.
Sanidade das featuresChecar a sanidade das features a cada retreino.

05 · TREINAR PARA SE DEFENDER

Tolerância a ruído e seus limites

Do lado do treino, o autor recomenda preparar o modelo para tolerar ruído, sobretudo quando as fontes online e offline são diferentes: usar regularização e aplicar feature dropout, principalmente nas features com maior chance de falhar online.

Se já existem exemplos de pontos de dados afetados em serving, é boa ideia corrigir esses erros para usá-los no treino, mas também treinar o modelo com os pontos afetados para que ele aprenda a se "defender" caso o problema se repita. O custo é que isso pode afetar o desempenho do modelo.

A cada retreino, o autor pede checar a sanidade das features, para corrigir ou depurar as mais propensas a falhar.

Perguntas frequentes

O que é Mercado Livre: skew entre treino e serving e dependências de dados no antifraude?

Heurística memorável: a chance de consistência é de cerca de 1/2^N fontes.

O que o design de Mercado Livre: skew entre treino e serving e dependências de dados no antifraude cobre?

Ele está organizado nestas seções: Bom no laboratório, ruim em produção, Quanto mais fontes, menor a chance de consistência, O que a produção tem e o ETL de treino não vê, Observar, medir e reagir e Tolerância a ruído e seus limites.

Quanto tempo leva Mercado Livre: skew entre treino e serving e dependências de dados no antifraude e qual é o nível?

Leva cerca de 17 minutos para ler e tem nível Sênior.

Agora projete você mesmo

Rode este caso como uma entrevista na escola de System Design: você toma as decisões, o tutor as questiona e você vê a nota do seu desenho.