Arquitetura real · Pleno
Mercado Livre Fury: do monólito Oracle a cerca de 30 mil deploys por dia
Três eras bem delimitadas: monólito em 1999, MeliCloud e Fury em 2015. Mostra que microsserviços sem plataforma geram caos.
Resposta curta
Três eras bem delimitadas: monólito em 1999, MeliCloud e Fury em 2015. Mostra que microsserviços sem plataforma geram caos. Em 1999 o Mercado Livre lançou a primeira versão do Marketplace como um monólito. A plataforma tinha algumas centenas de servidores físicos, um único banco Oracle e um único repositório, no qual mais de 200 desenvolvedores trabalhavam todos os dias.
01 · CONTEXTO
O Marketplace de 1999: um monólito
Em 1999 o Mercado Livre lançou a primeira versão do Marketplace como um monólito. A plataforma tinha algumas centenas de servidores físicos, um único banco Oracle e um único repositório, no qual mais de 200 desenvolvedores trabalhavam todos os dias.
O diagrama mostra usuários falando com uma única aplicação, que por sua vez fala com um único banco.
Em 1999 o Marketplace nasceu como monólito: algumas centenas de servidores físicos, um único banco Oracle e um único repositório, usado por mais de 200 desenvolvedores todos os dias.
Os deploys eram semanais e exigiam congelamento de código para entregar a solução à equipe de qualidade.
Como todos mexiam na mesma base, mudanças podiam gerar funcionalidades em conflito: uma funcionava e as outras quebravam.
Os deploys eram semanais e exigiam congelamento de código para entregar a solução à equipe de qualidade. Como todos alteravam a mesma base, as mudanças podiam gerar funcionalidades em conflito.
02 · MELICLOUD
Microsserviços sem plataforma: liberdade caótica
Por volta de 2010 a empresa tomou uma decisão crítica: adotar uma infraestrutura mais escalável baseada em microsserviços. A migração foi para uma plataforma chamada MeliCloud, que trouxe infraestrutura como serviço.
Nessa fase a fonte cita 17.500 instâncias. Mas a flexibilidade veio com um preço: as equipes passaram a gastar muito tempo resolvendo problemas operacionais de produção em vez de melhorar o produto, e havia diferenças substanciais entre os ambientes de desenvolvimento, stage e produção.
03 · FURY
Fury: a plataforma interna nasce em 2015
A necessidade era ter um lugar único para infraestrutura, build, deploy, métricas e serviços, e colocar uma aplicação no ar em três cliques. Foi assim que nasceu a Fury, em 2015: uma plataforma interna de desenvolvimento (IDP) feita em casa, para criar, implantar, gerenciar e monitorar aplicações.
Criar uma aplicação já gera o repositório com as permissões da equipe, monta o pipeline de CI/CD e entrega um scaffolding com imagem containerizada. Para garantir confiabilidade, aplicações críticas são divididas em escopos separados, e a falha em um escopo não afeta os outros.
No diagrama, a equipe fala com a plataforma interna, que aciona o pipeline de CI e o orquestrador de deploy.
Ao criar uma aplicação, a plataforma gera o repositório com as permissões da equipe, monta o pipeline de CI/CD e entrega um scaffolding com imagem containerizada.
O build produz um artefato, tipicamente uma imagem Docker, publicado no registry interno; uma versão gerada não muda mais.
O orquestrador usa o artefato já gerado e orquestra sua execução em um ou mais escopos, sem precisar reconstruí-lo.
Toda mudança significativa passa por ao menos um ambiente de validação antes de afetar usuários finais ou sistemas críticos.
A plataforma mede cada etapa do ciclo de deploy; em produção crítica o alerta exige atenção imediata, tratada por rotações de on-call.
O processo de release, em vigor desde 2018, roda sete validações de qualidade sobre mais de 26 mil repositórios; se uma verificação falha, o fluxo inteiro é interrompido até a correção.
04 · DEPLOY
Construir é uma coisa, implantar é outra
A Fury separa explicitamente o build, que cria a versão, do deploy, que a executa. Uma versão gerada é imutável, e a mesma versão pode ser implantada várias vezes em escopos ou configurações diferentes, sem rebuild.
Não existe abordagem única de deploy: a estratégia varia com a criticidade do cenário. Estratégias que reutilizam infraestrutura existente são rápidas e baratas, porém difíceis de reverter; já o Blue-Green, que cria um ambiente novo, é indicado para escopos produtivos que exigem recuperação rápida em caso de erro. Entre as estratégias suportadas estão Blue-Green, Canary-Safe, Rolling Update e All-In.
| Como o tráfego muda | Ponto de atenção | |
|---|---|---|
| Blue-Green | Depois de validada a versão nova, o tráfego é redirecionado e a troca é instantânea | Permite rollback rápido sem indisponibilidade |
| Canary | A versão nova recebe só uma pequena parte do tráfego e, se tudo funciona, ele é aumentado aos poucos | Valida a mudança em produção real antes de expandi-la |
| Rolling Update | As instâncias atuais são substituídas progressivamente pela versão nova | Economiza recursos, mas é mais arriscado se mal gerido |
O diagrama mostra um controle de tráfego que reparte os usuários entre a versão atual e a versão nova.
No Blue-Green a versão nova é implantada no ambiente passivo sem afetar o tráfego real; depois de validada, o tráfego é redirecionado e a troca é instantânea.
No Canary a versão nova recebe só uma pequena parte do tráfego, enquanto o resto segue na versão anterior.
A versão nova é monitorada em produção real com usuários reais e, se tudo funciona como esperado, o tráfego é aumentado aos poucos.
Com rollback programável, em caso de falha ou métricas anômalas o deploy pode ser revertido automaticamente.
Cada escopo é categorizado por nível de criticidade, e essa classificação define o risco de qualquer mudança. A plataforma também oferece rollbacks programáveis, que revertem automaticamente em caso de falha ou métricas anômalas.
05 · ESCALA E OPERAÇÃO
Os números, sempre com o ano ao lado
Os números do caso vêm de três fontes de anos diferentes, e por isso cada um aparece com o ano da sua fonte.
| Fonte | O que ela informa | |
|---|---|---|
| 2022 | Palestra na QCon San Francisco | Mais de 900 milhões de requisições por minuto, mais de 114 mil instâncias, mais de 26 mil microsserviços e 12 mil engenheiros |
| 2024 | Artigo no blog de tecnologia do Mercado Libre | Mais de 15 mil engenheiros e mais de 30 mil microsserviços em 100 mil instâncias em produção |
| 2025 | Artigo no blog de tecnologia do Mercado Libre | Mais de 750 mil deploys em julho de 2025 e cerca de 30 mil aplicações ativas |
A Fury conta como deploy qualquer ação que atualiza o estado de uma aplicação em um ambiente. Isso inclui mudar variáveis de ambiente ou configuração, e também re-deploys automáticos, como o disparado quando um sidecar é atualizado ou quando o monitoramento sugere reduzir CPU e memória. A própria fonte aponta a automação como um dos habilitadores de rodar 30 mil deploys por dia.
Os sidecars dão mais controle de segurança, conformidade e NoOps em cada microsserviço; a palestra cita proxy de MySQL, middleware de tráfego e agentes de logs e de métricas. A diversidade de linguagens, por outro lado, aumenta a complexidade de operar em escala.
Cada passo do deploy é idempotente e pode ser repetido sem deixar o sistema inconsistente. Alertas de escopos de teste têm SLA de baixa prioridade; em produção crítica o alerta exige atenção imediata, tratada por rotação de on-call.
Perguntas frequentes
O que é Mercado Livre Fury: do monólito Oracle a cerca de 30 mil deploys por dia?
Três eras bem delimitadas: monólito em 1999, MeliCloud e Fury em 2015. Mostra que microsserviços sem plataforma geram caos.
O que o design de Mercado Livre Fury: do monólito Oracle a cerca de 30 mil deploys por dia cobre?
Ele está organizado nestas seções: O Marketplace de 1999: um monólito, Microsserviços sem plataforma: liberdade caótica, Fury: a plataforma interna nasce em 2015, Construir é uma coisa, implantar é outra e Os números, sempre com o ano ao lado.
Quanto tempo leva Mercado Livre Fury: do monólito Oracle a cerca de 30 mil deploys por dia e qual é o nível?
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